O conceito de Revolução

O conceito de Revolução

 José Alves de Oliveira Junior graduando em História pelo IFG campus Goiânia

O que foi a Revolução francesa? ou  o que foi a Revolução Industrial? ou até mesmo antes, a Puritana ou a grande rebelião, nome pelo qual os seiscentistas conheciam as guerras civis ocorridas entre os anos de 1642 e 1660 na Inglaterra, e foi intitulada de revolução por François Guizot no século XIX, que contribui ao do autor Kosellek para a historicização do conceito de revolução apresentado em seu livro o “futuro passado”. A palavra revolução é largamente disseminada dentro do vocabulário político moderno, e é um termo que possui um campo semântico tão amplo e sua imprecisão conceitual é tão grande que dificulta a sua compreensão.

Segundo apresentado no texto de Kosellek a palavra revolução era um termo estritamente do campo da astronomia e que, revolução significava então, primordialmente um movimento cíclico, ou seja, um movimento de retorno. Revolução inicialmente foi um conceito físico-politico que em tom natural alude ao ciclo das estrelas e o movimento dos corpos celestes, a qual por sua vez Copérnico colocou a disposição um conceito de revolução que acabou por desembocar no vocabulário político.

O conceito de revolução não é unívoco. Ele varia desde sangrentos movimentos de deposição ou golpes políticos e sociais até inovações cientificas decisivas, podendo significar tudo isto ao mesmo tempo, por exemplo, revolução francesa, industrial. O conceito de revolução moderno pode ser definido como um conceito geral, que encontra no mundo tais as condições previas para todo o seu entendimento, mas cujo seu significado sofre variações dramáticas de um pais para o outro, de uma situação política a outra. O conceito de revolução no texto é apresentado como um produto linguístico de nossa modernidade. Desde o século XIX tornou se comum distinguir entre uma revolução política, uma revolução social ou uma revolução técnica e industrial. E desde a revolução francesa a expressão adquiriu possibilidades semânticas flexíveis, ambivalentes e ubíquas. Os iluministas encontravam na palavra revolução um conceito conhecido, pois “estava na moda” e tudo aquilo que se descrevia era compreendido a partir da comoção e da transformação. A revolução abarcava tudo, os costumes, a religião, economia, nações, Estados e continentes, em fim todo o globo terrestre. Assim o conceito originalmente é natural e, portanto tras-historico dissemina seu significado parcial e metafórico que acaba por se tornar predominante. O movimento abandona sua base natural para adentrar a atualidade do cotidiano. Desta forma o termo revolução veio a Luz o âmbito de uma historia genuinamente humana.

A palavra “revolução”, na época de Aristóteles, significava, grosso modo, um movimento cíclico ou um retorno. Porém os acontecimentos incontroláveis de 1789 na França alterariam o entendimento do termo. A partir de então passou a representar todas as revoluções, mas tendo como base a Revolução Francesa. Para o autor o termo evoluiu para a forma de um “coletivo singular”. No texto o autor destaca que revolução se torna um “coletivo singular”, que parece concentrar em si as trajetórias de todas as revoluções particulares. E é assim que revolução se torna um conceito meta-histórico, separando-se completamente de sua origem natural e passando a ter por objetivo ordenar historicamente as experiências sociais. O conceito de revolução retoma para si, desde 1789, a lógica da guerra civil, a luta, uma vez decidida com todos os meios disponíveis, legais e ilegais, passa a pertencer, segundo a óptica do revolucionário profissional moderno, ao decurso planejado da revolução. Assim se pode servir de todos os meios, pois acredita que a revolução é legitima. Revolução se torna todo processo que resulta em transformações em algumas esferas da sociedade.

A autora Eunice Ostrensky em seu livro “As Revoluções do Poder”, destaca a Revolução de 1642 (Revolução Puritana) período entre 1642 e 1649, chamado pela autora de “períodos fatais”, anos de crise da soberania em que surgem debates sobre republicanismo, limites do Estado, Poder e liberdade. Esses vocábulos, complexos em sua definição mesmo fora do contexto revolucionário, ampliam suas possibilidades de definição em momentos de embate político. O ápice da “Grande Rebelião”, como era chamada então a Revolução Inglesa, se daria em 1649, com a condenação e execução de Carlos I. “Nunca antes se havia julgado, condenado e executado um rei publicamente. No passado, coroas usurpadas e reis cruéis haviam merecido execuções que se fizeram pelas costas, no escuro, porque nem mesmo os assassinos (…), pensavam em contestar a monarquia” (p. 41). Na Inglaterra do século XVII, o conceito de revolução remete quase sempre a dois sentidos distintos, invariavelmente relacionados à astronomia ao que hoje intitulamos física. O primeiro sinônimo de circunvolução e designa o processo cíclico de geração, corrupção e morte pelo qual passam toso os seres, mesmos os corpos das republicas. “Nem todos os corpos celestes que giram em torno do próprio eixo e em torno de outros corpos, nem os corpos políticos, fadados a nascer e a perecer, estão livres desse movimento circular, que alguns autores – especialmente os republicanos – também viram como uma sorte de destino inexorável”. No que diz respeito à política, as grandes mudanças não mais são causadas pela mera instabilidade dos regimes, devendo ser também entendidas no interior de uma estrutura de ambição realmente explicativa. No texto a autora explicita que por mais que os agentes da revolução sejam homens e não planetas ou astros; por mais que mudanças investigadas pelo filosofo pertençam à ciência civil, e não a ciência da natureza, o conceito de revolução não tem, nos dois sentidos examinados pela autora uma implicação claramente política. Apenas com a Revolução Francesa o conceito se tornara um importante instrumento de compreensão da política designando os episódios históricos nos quais agentes humanos haviam produzido o colapso de uma ordem política, social ou econômica, e a emergência, em seu lugar, de novos valores ou regimes. Ostrensky em seu texto pergunta; em que medida a Grande Rebelião foi uma revolução? A grande rebelião sujeitou a Inglaterra a mudanças na estrutura do Estado e representou um ciclo de geração, corrupção e morte de pelo menos dois governos, a república e o protetorado.

A Grande rebelião também consolidou a mutação da monarquia em oligarquia, esta passando a uma democracia, até voltar ao que era no inicio. Mas podemos julgar que os numerosos efeitos de todas essas mudanças não levaram a Inglaterra de 1660 de volta ao ponto em que estava em 1642. A monarquia restaurada em Carlos II não era a mesma coroada em 1625 com Carlos I. Se as concepções “antigas” de revolução nos permitem pensar as transmutações e alternâncias, o conceito moderno, no qual o colapso de uma ordem provoca a ruptura das relações sociais, políticas e econômicas então vigentes, permite refletir sobre mudanças profundas e definitivas a respeito do que aconteceu no passado. O conceito de revolução após a revolução francesa muda seu significado e passa a fazer parte do vocabulário político. Para a autora revolução é uma grande ruptura que provoca mudanças nas esferas de toda a sociedade. O livro didático de Luiz Koshiba “Historia: origens, estruturas e processos” propõe uma reflexão dos conceitos. O termo revolução é usado no livro em seis capítulos divididos pelo autor; A Revolução Neolítica, As Revoluções Inglesas do século do século XVII, A Revolução Francesa I e II, Liberalismo e a nova face da Revolução, Revolução Industrial, Revolução Socialista. Podemos perceber através da analise destes capítulos que o conceito de revolução é utilizado no livro para designar grandes mudanças políticas, sociais, econômicas. Podemos destacar a Revolução Neolítica que é apresentada como uma mudança de uma economia coletora para uma economia produtora, outro exemplo  são os conflitos políticos a respeito da alteração de regimes monárquicos para regimes democráticos, que desembocam em mudanças nas relações sociais. O livro didático de Luiz Koshiba quando se trata do termo revolução, sempre alude ao elemento que constitui ruptura e transformações. De acordo com a análise do livro não se problematiza o conceito de revolução, como proposto na apresentação do livro, mas problematiza conceitos como reforma e restauração nos capítulos em que se trata das revoluções.

 

 

Referencias Bibliográficas

 

KOSELLECK, Reinhart. Futuro Passado: contribuição à semântica dos tempos históricos. Rio de Janeiro: Contraponto Editora; Editora PUC Rio, 2006.

 

OSTRENSKY, Eunice. As revoluções do poder. São Paulo: Alameda, 2005.

 

KOSHIBA, Luiz, 1945 – Historia: origens, estruturas e processos: ensino médio/ Luiz Koshiba. São Paulo: Atual, 2000.

 

 

 

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