Cidadãos. Uma crônica da Revolução Francesa

O absolutismo atacado

José Alves de Oliveira Junior graduando em  História pelo IFG campus Goiania

 

O autor Simon Schama em seu livro, “Cidadãos. uma crônica da Revolução Francesa” mostra as causas da Revolução Francesa sob uma nova perspectiva. Ao fazer uma analise interna das causas da revolução. O autor mostra que no século XVIII na França, a nobreza não era um grupo homogêneo, pois era constituída por uma hierarquização política econômica e tinham diferentes interesses. No texto ele vai mostrando que alguns nobres constituíram comportamentos distintos. Nesta parte do livro o autor mostra como se constituía a sociabilidade entre os membros da aristocracia, destaca suas discussões no parlamento e a reivindicação do seu direito de reclamar. Malesherbes era um nobre que tomou posse no reinado de Luiz XV, que não respeitava a etiqueta da corte, pois andava maltrapilho, constituindo um comportamento irreverente. Ele inicia a sua carreira entre os anos de 1750 e 1775 ocupando duas posições muito importantes no parlamento. O nobre era um defensor do que muitos membros da elite consideravam “liberdades fundamentais”. A primeira, a liberdade de ler. Malesherbes nos anos de 1750 a 1763 foi o directeur de La librairie: o funcionário que decidia se o livro poderia ou não ser publicado. Sob a sua administração foram publicados praticamente todos os tipos de ateísmo declarado, panfletos declarando regicídio e pornografia, que chegavam até os membros das camadas populares. Alem das obras de Rousseau, Diderot e D’ Alembert.

No texto o autor mostra que as cortes tinham algumas funções, como “registrar” qualquer édito real, e só com a ratificação das cortes o édito poderia se tornar lei. Ainda no parlamento as cortes tinha o direito de reclamação. Na verdade estas reclamações eram admoestações ou protestos contra atitudes consideradas como violações das “leis fundamentais” do reino. Na medida em que a política fiscal de Luis XV se tornava mais agressiva após cada uma de suas guerras, as reclamações contra ele se tornava mais frequentes e combativas. A maioria das reclamações que provinham do parlamento referia-se a violação dos privilégios contida em impostos, mas o autor deixa claro que nem sempre privilégios e nobreza incluíam a isenção de impostos. O nobre Malesherbes usou a presidência para atacar todo o sistema de tributação, em especial as iniquidades de taxação e arrecadação. Em 1771 exasperado pela obstrução parlamentar o chanceler Maupeou convencera o rei Luis XV a suprimir as cortes soberanas em favor de corpos magistrados que faziam tudo que o rei mandasse. Os parlamentares defendiam que o rei devia governar sob a base contratual de que a coroa dependia do “povo”, enquanto o rei defendia a posição de que o rei deve a coroa somente a Deus. Sob o reinado de Luiz XVI Malesherbes tinha esperança de ser libertado de sua corte, antes de entrar no ministério de Turgot, publicou uma maciça reclamação do espírito e da letra do governo Frances. O rei Luiz XVI ao encarar a reclamação como um apelo para alterar seus fundamentos à natureza do governo encarou-a como enfadonha defesa de medidas especificas as quais não se opunha. O rei não se impressionou com o memorando sobre as municipalidades de Turgot, que propunha uma descentralização de governo mais drástica, das assembleias locais das cidades até uma representação nacional. Malesherbes pedia que o rei fizesse demonstrações públicas de seu interesse pelo povo, também pediu, a abolição das lettres de cachet (instrumento para decretar prisão sem precisar ouvir os acusados) e as propostas de tolerância publica com o protestantismo. No texto Schama mostra que o ataque ao “despotismo” e a “tirania ministerial” seriam impensáveis se não tivessem sidos sancionados pelo longo uso nas polemicas no parlamento. Desde os anos de 1750 havia um tom da resistência parlamentar a política do rei. Quanto mais desesperada a coroa buscava saídas para seus compromissos financeiros em taxas impostas à privilegiados e não privilegiados, mais os parlamentos se enfureciam. Os parlamentos representavam um esforço conjunto para substituir o ilimitado absolutismo de Luiz XVI, por uma monarquia mais “constitucional”. Neste novo regime eles seriam os representantes da “nação” patrulhando qualquer tipo de autoridade governamental. Assim neste embate entre parlamento e rei, por consequência, quanto mais às disputas com os parlamentos sobre a política religiosa e tributaria no final de seu reinado, se tornava mais ásperas, o rei se tornava mais absolutista. O discurso de Luiz XV expressava uma cólera fria de relação à ideologia parlamentar. Mas o caráter defensivo de sua argumentação da indivisibilidade do poder legislativo constituiria um reconhecimento implícito de que tal axioma estava de fato ameaçado (SCHAMA, 2005).

Segundo o autor os parlamentos eram uma instituição que se compunham de treze cortes soberanas, sediadas em paris e em centros provinciais, cada qual compreendendo um corpo de juízes, que em diferentes parlamentos iam de 50 a 130. A sua área de jurisdição variava muito: em regiões mais remotas, os parlamentos atuavam na condição de cortes regionais. O texto de Schama destaca que os parlamentos tinham um leque de funções amplo, mas o que dificultava em especial à circunscrição de seu poder era que também dividiam com os burocratas do rei, intendants e os governadores. O parlamento era, pois, uma instituição e um etos nos centros comerciais mais dinâmicos da França, representavam o meio através da qual a riqueza bruta se traduzia em status legal e dignidade política. Nas pequenas cidades a economia e a sociedade da região giravam em torno se sua presença, com regimentos de escribas, pequenos advogados, e intercessores, livreiros, sem falar nos profissionais subalternos que alimentavam seu aristocrático estilo de vida, fabricantes de carruagens, peruqueiros, professores de dança dentre outros. E nesse sentido se constituíam uma solidariedade social entre os robins e seus concidadãos. As residências dos parlamentares, que abrigavam as cortes eram enormes construções, e sediavam grandes reuniões. Muitos vendedores de livros expunham exemplares baratos de estampas sátiras, frequentemente contra o governo, porque nesse lugar estavam a salvo da policia. Esses lugares eram onde uma torrente de mexericos, boatos e escândalos convergiam para formar um vasto rio de insinuações que se dirigiam aos jornalistas e traficantes de calunias. Os parlamentos se tornam um foro de afirmações políticas articuladas através de reclamações.

Os parlamentos tinha uma consciência de que não poderiam atacar a coroa, pois haveria outros riscos, como o exemplo a explosão de uma rebelião popular, muito ameaçada por sinal. Os treze parlamentos eram os arbitrariamente divididos, do único organismo que exercia restrições legais a monarquia, assim progressivamente o direito de reclamação se transforma em um direito de representar. Em 1775 o rei reestabelece o parlamento, em um momento de acalorado clima político. Para o autor a nobreza se articulava com as relações da cultura burguesa, mostrando as formas de ascensão a nobre, como; mérito, serviços e talentos. O autor desconstrói a tese hegemônica de que a nobreza era inimiga do empreendimento comercial ao mostrar que os nobres, eram profundamente envolvidos em finanças, negócios e indústria, e a metalurgia que era uma importante atividade econômica. A nobreza recebeu influencias dos valores burgueses: dinheiro, serviço publico e talento (SCHAMA, 2005). No texto também é destacado que os privilégios não eram concedidos somente aos nobres, pois a coroa ampliava os privilégios à dezenas de plebeus, ou por cargos públicos, ou através de casamentos com membros de famílias privilegiadas na tentativa de mobilizar sua autoridade, permitindo uma ascensão a nobre. O autor destaca que a burguesia não era o produto de uma reação aristocrática e sim o produto de uma modernização da aristocracia, Malesherbes representava uma nobreza moderna, que revindicava uma monarquia com poderes limitados. Ao mostrar que muitos nobres franceses “nadavam em dinheiro” quando poderiam dar-se ao luxo de dispensar muitos de seus privilégios, também mostra que havia nobres pobres que viviam como camponeses e se agarravam mais em seus privilégios. Em 1788 e 1789 estas duas nobrezas de fato se dividiram – em função de geração e convicção mais do que status social ou posição econômica (SCHAMA, 2005). Segundo o autor entre os nobres mais pobres, parece que a posição mais unanime era contraria a abolição de suas prerrogativas, e pela primeira vez eliminou-se a distancia entre, os poucos e sofisticados poderosos e os muitos anões da nobreza, quando estes últimos ditam a posição coletiva do Estado nobre. Para Schama a desintegração da velha ordem ocorreu não quando estranhos desesperados com sua exclusão dos privilégios decidiram destruí-la. Pelo contrario, a desintegração partiu de dentro, dos enamorados pela visão de aristocratas-tornados-cidadãos de d’ Argenson, derrubando as paredes de seu próprio templo e proclamando o advento de uma monarquia democrática.

A formação cultural de um cidadão

         A análise feita sobre as causas da Revolução Francesa no texto de Simon Schama destaca que a nobreza francesa não se constituía como uma nobreza homogênea, e sim heterogênea em suas atuações políticas e econômicas e em seus interesses. Ao perceber que havia uma hierarquia onde coexistiam nobres muitos ricos, que se envolviam em atividades ditas “burguesas” como, indústrias, negócios e finanças. Mostrando uma nobreza empreendedora, que não media esforços para enriquecer, seja por casamento com burgueses, ou não. O autor destaca que estes nobres poderiam dar-se ao luxo de dispensar seus privilégios, pois a defesa dos mesmos, não significa defender pelo seu valor pecuniário. Alem desta parte rica o autor destaca que para cada nobre empresário havia dez vegetando em suas propriedades rurais, na condição de refinados maltrapilhos, que seria sua grande maioria, cerca de 60% da nobreza que viviam em condições que variavam de modesta decadência a total indigência. Segundo o autor muitos viviam em condições idênticas a dos camponeses, por isso esses membros mais pobres da nobreza se agarravam mais fortemente em seus privilégios.

Assim o autor mostra que foi a primeira vez que as distancias entre esses grupos foram eliminadas , quando a maioria, os nobres mais pobres ditaram a posição coletiva do Estado nobre. Em analise das causas da Revolução o autor mostra que a desintegração da ordem partiu de dentro, internamente ao perceber a contradição dos membros de uma mesma ordem, que tinham interesses diferentes.

São inúmeros os exemplos de uma fusão cultural que ocorreu na Europa do século XVIII. No do texto, o autor dá uma ênfase maior na sociabilidade das camadas populares, e destaca a influencia do balonismo ao fazer uma longa descrição das experiências que os franceses tiveram com essa moda. Mostrando que tinha um publico enorme e entusiasmado. No texto o autor destaca as reuniões para sediar eventos como a subida de balões, era para poucas plateias, como por exemplo, o autor mostra o do palácio de Versalhes. No chão o balão até certo ponto era um evento da aristocracia, mas quando no ar, se tornava democrático e publico. Alguns inventores conseguiram constituir uma relação de camaradagem imediata e concreta com as multidões. Fazendo referencia experiência, da gama de emoções ilimitadas quando os via comportarem-se exatamente como as multidões não deviam se comportar no Ancien Régime. O autor destaca que os únicos eventos em que a população participava eram procissões religiosas ou desfiles cívicos. As ordens dos participantes, a roupa, e os atributos carregavam determinada coerência e a estruturas das ocasiões. A física modificou tudo isso destaca o autor.

Como espetáculo, era imprevisível; suas multidões eram incoerentes, espontâneas visceralmente agitadas. Todavia não constituíram nem um tropel (un attroupement), nem um aglomerado casual. A sensação de que testemunharam um evento libertador – pressagio de um futuro que pairaria livremente – dava-lhes uma espécie de companheirismo temporário a céu aberto, sob a garoa do verão parisiense ou a neve do inverno Lionês. Embora menos calistênico que a ginástica neoespartana recomendada por Rousseau (e mais tarde ordenada por jacobinos), exemplificava a visão do filosofo de um festival de liberdade: relances do Sublime em que era nobre a experiência, e não a plateia (SCHAMA, 2005).

Os balões constituíram um espetáculo em que se atraia qualquer tipo de publico na qual as distinções sociais desapareciam em meio ao entusiasmo dos espectadores. Nas ultimas décadas do Ancien Régime, Schama destaca alguns fenômenos culturais em que se mesclavam gostos populares e aristocráticos nos mesmos espaços, como, a diversidade do publico no teatro, musica popular, e exposições de bienal no Salão. Esses fenômenos provocaram eliminação das distinções tradicionais de ordem social e legal, (preservadas nas formas de Artes oficiais autorizadas pela Monarquia) em um mesmo espaço. Assim constituindo um misto de todas as ordens do Estado, de todas as posições sociais, de idade e sexo (SCHAMA, 2005).

Segundo o autor este mesmo processo de ruptura das relações sociais ocorriam também no Teatro. Os teatros parisienses se dividiam em dois mundos. O drama de bom gosto e respeitabilidade nos teatros oficiais. Onde se tinha também a Opera. Do outro lado temos os teatros de Bulevar, nas quais farsas obcenas cheias de gírias e humor barato competiam com equilibristas e espetáculos de curiosidades. Nas ultimas décadas do Ancien Régime percebe-se que o teatro oficial começa a perder sua vitalidade, enquanto o teatro popular se tornava a principal atração. Neste momento o autor destaca que estava acontecendo a formação de um único publico de teatro, que se estendia da corte real até vendeiros, comerciantes e outros. Mas que estes grupos de distinções sociais tão diferentes quando são colocados em um espaço limitado, constituíram incidentes isolados de hostilidades.

É difícil saber se a mescla social evidente no publico de teatro e entre os frequentadores dos jardins dos prazeres pode ser um indicador preciso do colapso da hierarquia na França do Ancien Régime. Afinal estamos lidando com a Paris metropolitana no que se tinha de mais a vontade. Porem com esse fervilhante pano de fundo tal mistura realmente transformou incidentes isolados de hostilidades entre os grandes e pequenos, privilegiados e cidadãos, num tipo exemplar de drama social e político: o do anacronismo. Nesse sentido houve de fato ensaios para o grande teatro dos Estados Gerais em atividade na plateia de Paris (SCHAMA, 2005).

No teatro temos exemplos que mostram o quanto a política afetava o teatro, mas também como o teatro era capaz de afetar a política. O exemplo mais claro sobre isso foi o a peça, “O casamento de Fígaro”. As circunstâncias em que a peça estreou são interpretadas como um estagio que iria o caminho para a quedo do Ancien Régime. Beaumarchais que era um membro desta nobreza moderna, e através de suas obras tira sarro da nobreza em uma batalha contra o despotismo opressor e a favor de liberdades dos cidadãos. No texto podemos perceber uma quebra da hierarquia dentro dos teatros, pois para assistir os espetáculos, tinha que se pagar um valor pela poltrona, assim qualquer um poderia assistir às peças pagando um valor sem distinção de ordem social.

O acesso a esses lugares se constituíam não pelo status social e político, e sim por aspectos econômicos. Nesta parte do texto o autor nos mostra a criação de uma sensibilidade social e política por parte das camadas mais populares do Ancien Régime. Na Paris do século XVIII o autor mostra à contribuição das publicações que criticavam o rei, as artes, a pornografia que contribuíram para a formação de uma opinião publica.  Muitos contemporâneos descreveram a onda de sentimentos que envolveram as multidões aglomeradas diante as obras de artes.

A drástica modificação cultural representada por essa primeira erupção de sensibilidade românica tem mais do que importância literária. Significação a criação de um estilo falado e escrito que se tornaria a voz padrão da revolução, partilhado tanto por suas vitimas como por seus mais implacáveis promotores. O discurso de Mirambeau e Robespierre, as cartas de Desmoulins e madame Roland e os festivais orquestrados da republica dirigem-se a alma, a humanidade terna, verdade, virtude, Natureza e ao idílio da vida em família. As virtudes proclamadas na tela de Greuze formavam a base moral da que a revolução entenderia por virtude. “é a virtude que adivinha com a velocidade do instinto o que será útil para o proveito geral”, escreveu Mercier em 1787. A razão com a sua linguagem indisiosa, pode pintar a mais equivoca das empresas em cores cativantes (SCHAMA, 2005).

As voltas aos antigos que o autor chama atenção nos mostra como a retórica e a oratória são importantes elementos para a construção dessa opinião publica, a dicção equivalia, pois, a poder publico. O autor mostra a admiração dos heróis e do patriotismo da Republica Romana.

Não havia duvida de que a geração revolucionaria encontrou modelos estimulantes nos heróis da antiguidade republicana – e ao mesmo tempo essa admiração aguçou sua opinião de que os estereótipos da época em que viviam correspondiam aos piores excessos da dourada corrupção criticada nas histórias romanas. Por exemplo, leram na conspiração de catilina, de salustio, que após a queda de Cartago “a virtude começou a perder o brilho em consequência da riqueza, luxo e avidez”. Em contrapartida na era de ouro da Republica (SCHAMA, 2005).

O cidadão se constitui nesse processo onde se começa a ter certa sensibilidade sobre a política e a sociedade fazendo-se uma geração revolucionaria crescer sintonizada com essa elaborada forma de se expressar. No texto o autor ao fazer referencia a difusão de muitos tipos de obras escritas, como por exemplo, a pornografia, e percebe que Daniel Roche descobriu números surpreendentes de adultos alfabetizados na capital no final do Ancien Régime. Isso se deve por causa de “escolhinhas” promovidas pelas missões católicas do século XVII e XVIII. É evidente que o que a população não a ligava diretamente com a opinião publica, porque não liam diretamente das fontes de Rousseau, mas o texto destaca que a literatura popular transmitiam as mesmas mensagens: inocência corrompida, perversidade do dinheiro urbano, e brutalidade do poder e aventuras sexuais. E assim se constituía a literatura informal onde se tinham almanaques, notas fixadas em lugares públicos que cada vez mais ligava as pessoas comuns das cidadezinhas francesas com o mundo dos eventos públicos. O autor destaca, que o chamado de Império da Palavra, seja falada, cantada, declamada ou lida no final do Ancien Régime ampliou suas fronteiras. Mas embora ela atingisse o auge em Paris, de modo algum constituía um fenômeno exclusivamente metropolitano.

O autor mostra no final desta parte que os Cidadãos, tiveram suas personalidades individuais e coletivas já formadas me meados da década de 1780. Eram devotos da natureza, tinham bom coração, desprezavam a moda e a ostentação dos poderosos, eram apaixonados em seu patriotismo e enraiveciam com os abusos do despotismo. Acima de tudo eram apóstolos da virtude publica que viam na França prestes a renascer como republica de amigos. E foi assim, de braços dados, penas atarefadas para rabiscar discursos, que o exercito de jovens cidadãos assistiram a queda da monarquia Francesa.

Os custos da modernidade

Com base na analise do autor Simon Schama sobre a os anos que antecederam a Revolução Francesa percebemos que o Antigo Regime não se opõe a modernidade econômica, visto que em quase todos os aspectos que a grande fase de mudanças não foi ao momento da Revolução, mas sim nos finais do século XVIII.  Ao dizer que a Revolução interrompeu como catalisou a modernidade. Em 1795 o valor total do comercio não chegou à metade do que foi em 1789: em 1815, girava em torno de 60%. O impulso da mudança econômica e social na frança só cresceu quando a Revolução e o Estado militar criado em seu processo desapareceram. O autor usa o argumento de que os privilégios, não se davam pelo berço, e sim por dinheiro e mérito para mostrar que a formação de uma economia ou um Estado moderno não era incompatível com o antigo Regime. O antigo regime não era uma sociedade que caminhava para o tumulo, visto que nos finais do século XVIII mostra sinais de dinamismo e energia em todos os setores. Neste período como mostra o autor, do rei para baixo a elite estava ligada muito com a ciência. Em 1785 foi uma iniciativa da realeza que ampliou a Academia de Ciência para incluir mineralogia, história natural e agricultura, citando matemáticos, químicos, astrônomos, mineralogistas o autor destaca a parceria entre Governo e Academias. Na parceria entre Governo e Academias o entusiasmo não se dava somente pela parte teórica, sempre que a coroa e o governo podiam aplicavam novos dados para objetivos práticos, melhorando armas militares, laboratórios químicos destinados à indústria. Essas mudanças também ocorriam na Medicina com a distribuição de circulares sobre ecologia e doenças locais e cursos básicos de obstetrícia. O autor destaca que sempre que podia o Governo se ocupava com a higiene publica ao se preocuparem com o lixo e os cemitérios.

Segundo o autor existia um atraso crônico na produção agrícola, mas que havia um padrão de produção e modernização que foi destruído pela Revolução. Em 1780 mercadorias, correspondência e passageiros deslocavam-se pela frança num ritmo volume e frequência muito diversos. Ao falar da economia o autor destaca questões sobre as comunicações aprimoradas através de uma rede de canais e estradas, significando uma expansão de mercados. Se a frança ainda estava longe do mercado nacional unificado existente na Inglaterra, pelo menos emergia de seu provincianismo (SCHAMA, 2005). O comercio externo era elevado como sempre as vésperas da Revolução. A indústria francesa crescia no final do Antigo Regime, superando a taxa de crescimento em alguns setores dos da Inglaterra. Seria tolice deduzir que a França passava pelo mesmo tipo de industrialização explosiva que ocorria na Inglaterra, mas é igualmente indiscutível que as vésperas da Revolução a curva apontava para cima (SCHAMA, 2005).

O numero de novas empresas envolvendo a mecanização aparecem cada vez mais frequente na década de 1780, reunindo capital e tecnologia, servindo para reativar as minas de cobre de Bigorre, nos Pirineus Franceses. No texto o autor destaca que os mais otimistas historiadores dessa época diziam que havia duas Franças. Uma era a frança da bacia parisiense e da periferia, modernizando-se e expandindo com o florescente comercio. A outra era a França do centro fechada em velhas tradições locais de oferta e procura. Mas destaca que esse contraste mostra uma boa dose de verdade, mas esconde uma parte importantíssima que tendiam em despertar a frança das velhas tradições tornando-as mais homogênea a difusão da Indústria e do comercio. O autor mostra a relação do capitalismo com o Antigo Regime, mostrando a utopia da modernidade que misturava concepções da republica perfeita de Rousseau e Condorcet que concretizaria não por meio da Revolução ou da violência, mas pela simples e gradativa operação de juros compostos. A fantasia suprema de uma França que se modernizava sem esforços, com a sabedoria coletiva, e do capital poupado não em proveito próprio, mas em beneficio do mundo todo. E por outro lado outros que viam na modernidade uma maldição. Muitos desses pessimistas eram otimistas desencantados como Simon Linguet, que se enchiam de tristeza e maus presságios. Ele expressa isso quando fala, “O capitalismo industrial prometia o céu e dava o inferno. Fazia do empréstimo um novo senhor e de seus trabalhadores urbanos trogloditas subumanos”. Nesta perspectiva o autor mostra como se constituía o pensamento sobre o capitalismo, ao destacar embate entre modernidade e não modernidade por parte dos que eram adeptos e os que eram contrários levando em conta suas perceptivas. De acordo com o que foi mostrado no texto de Simon Schama podemos perceber a inexistência de uma cultura econômica diversa entre o terceiro Estado e elite nobiliárquica, visto que a nobreza não se distanciava das relações capitalistas, e que se existiu uma burguesia esse grupo se encontrava no seio da nobreza e do clero.

Bibliografia

SCHAMA, Simon. Cidadãos. Uma crônica da Revolução Francesa. São Paulo. Cia das Letras, 2005.

 

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