Modernidade e o conceito de História: conceituações e relações

Modernidade e o conceito de História: conceituações e relações

 José Alves de Oliveira Junior, graduando em História pelo IFG campus Goiânia

        No texto “Modernidade: ontem, hoje e amanha” do autor Marshall Berman podemos nos aproximar do entendimento do que venha a ser a modernidade, abordando também como esta concepção sofreu modificações com o passar dos séculos. O autor define modernidade como um conjunto de experiências de tempo, espaço, de si mesma e dos outros. Segundo o autor, ser moderno é encontrar‑se em um ambiente que promete aventura, poder, alegria, crescimento, autotransformação e transformação das coisas em redor ‑ mas ao mesmo tempo ameaça destruir tudo o que temos, sabemos, e somos. A experiência ambiental da modernidade anula todas as fronteiras geográficas e raciais, de classe e nacionalidade, de religião e ideologia: nesse sentido, pode‑se dizer que a modernidade une a espécie humana. Porem é uma unidade paradoxal, uma unidade de desunidade: ela despeja a todos num turbilhão de permanente desintegração e mudança, de luta e contradição, de ambiguidade e angústia. Ser moderno é fazer parte de um universo no qual, como disse Marx, “tudo o que é sólido desmancha no ar”. Berman admite uma pós-modernidade, pois para ele, não estamos mais em uma modernidade, justamente porque as experiências são diferentes na atual sociedade. Assim constituindo as experiências como os meios de transformação do pensamento e dos conceitos, diferente do autor seguinte, que reconhece o tempo como categoria de transformação do pensamento.  Para o autor desde o século XVI até o término do XVIII, período no qual as pessoas não possuem uma percepção nítida do movimento proveniente da modernidade, ainda que estas possam estar inseridas de modo mais intenso neste. Logo o momento pós-revolucionário de 1790. Como expõe Marshall as pessoas detêm o sentimento de viver em meio as “ondas” revolucionárias e seus respectivos efeitos nos campos econômico, político e social; contudo este mesmo público simultaneamente traz marcado a experiência do que é estar em um mundo que não realizou outras tantas transformações.

No texto do autor koselleck “Historia Magistra Vitae – Sobre a dissolução do topos na história dos tempos modernos”, constitui-se uma reflexão sobre o surgimento do conceito moderno de história. Para o autor esta é a mais importante inovação conceitual da modernidade. Para a fundamentação de sua hipótese o autor mostra o significado do termo história em varias épocas, ao destacar que os termos tendem a se transformarem com o passar dos tempos. A transformação conceitual segundo Koselleck estaria ligada a dissolução da clássica expressão Historia Magistra Vitae que foi cunhada por Cícero e por dois mil anos permaneceu ilesa.

Até século XVIII a expressão era um indicio da vida humana, cujas histórias são instrumentos recorrentes apropriados para comprovar doutrinas morais, teológicas, jurídicas e políticas. Neste ensaio o autor destaca que no século XVI o termo “história” – em alemão Historie – podia significar tanto uma imagem quanto uma “narrativa” – em alemão Geschichte. No texto é destacado que no velho topos, a história era um lugar contendo múltiplas experiências alheias, das quais nos apropriamos com um objetivo pedagógico, ou seja a história nos deixa livres para repetir os sucessos do passado, em vez de incorrer, no presente, nos erros dos antigos.  Assim por muito tempo a história teve papel de uma escola, em que se poderia aprender a ser sábio e prudente sem incorrer nos erros dos antigos. Segundo o autor até meados do século XVIII o termo história era sempre usado no plural para designar narrativas particulares: a história da guerra do Peloponeso, a história da igreja. Estas narrativas tinham como função dar exemplos de vida para serem seguidos pelos contemporâneos e o passado sempre era usado como referencia temporal. Com o iluminismo esta referencia temporal é alterada, assim a Historie dá lugar a Geschichte. Este termo é usado para designar uma sequencia unificada de eventos que é visto como um todo. Assim a humanidade começa a fazer parte de um único processo temporal, que contem em si sua própria narrativa. A história torna-se o seu próprio objeto. Podemos perceber esta mudança na frase de Tocqueville para caracterizar um novo tempo que se inicia. “Desde que o passado deixou de lançar luz sobre o futuro, o espírito erra nas trevas”. A expressão Geschichte alude ao acontecimento em si e se fortaleceu ao mesmo tempo em que historie fui excluído do uso geral. A “história em si” este “singular coletivo” Geschichte, reunia a soma de todas as histórias individuais dentro de uma história universal, possibilitando assim um maior grau de abstração, reunindo num único conceito uma realidade e a reflexão sobre esta realidade. Por fim é destacado no texto que a Revolução Francesa colocou em evidencia o novo conceito de história da escola alemã. A ideia de coletivo singular possibilitou à história a força que reside em cada acontecimento que afeta a humanidade, aquele poder que a tudo reúne e impulsiona por meio de um plano oculto ou manifesto.  Houve uma mudança na referencia temporal do topos de natureza biológica para o topos de categoria de progresso segundo Koselleck.

 

Referencias bibliográficas:

KOSELLECK, Reinhart. Historia Magistra Vitae – Sobre a dissolução do topos na história dos tempos modernos In: Futuro Passado: contribuição à semântica dos tempos históricos. Rio de Janeiro: Contraponto Editora; Editora PUC Rio, 2006.

 

BERMAN, Marshall. Modernidade: ontem, hoje e amanha. Tudo que é sólido desmancha no ar – A aventura da modernidade, Companhia das Letras, 1987.

 

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