Características da colonização portuguesa no Brasil

Características da colonização portuguesa no Brasil

José Alves de Oliveira Junior graduando em História pelo IFG campus Goiânia

 

Dentre o período de três séculos de colonização portuguesa na América, período que compreende dos séculos XVI ao XIX o Brasil se desenvolve sobre três características distintas: como uma sociedade agraria, de grandes proporções de terra em mãos das famílias aristocratas, escravocrata pelo uso de mão da obra dos negros escravos e híbrida pela miscigenação ocorrida entre negros brancos e indígenas, segundo o autor Gilberto freire em seu livro “Casa Grande & Senzala”. Para o autor esta sociedade se desenvolve patriarcal e aristocraticamente, as sombras das grandes plantações, a partir de uma iniciativa particular das famílias patriarcais, como ocorrera nas colônias inglesas da América do norte. Foi esta iniciativa particular que possibilitou a efetiva colonização agraria no Brasil, baseada na mão de obra escrava. O Brasil foi considerado pelo autor como uma sociedade hibrida em sua composição. Devida a tamanha facilidade do português em se misturar com outras raças. Com também uma predisposição a aclimatabilidade e sua mobilidade, percebida tanto na África como na Ásia. O autor revela o caráter patriarcal da colonização ao sugerir uma tolerância racial do português, percebida na inclusão do escravo negro nas relações familiares do senhor de engenho, assim sugerindo relações não antagônicas entre escravos e seus senhores. O autor ameniza a condição do próprio escravo ao dizer que ele fazia parte de uma camada social que era bem alimentada na sociedade, comparada a outros estratos sociais. Assim defendendo a “democracia racial” no Brasil, visto que havia uma tolerância e uma hospitalidade com estrangeiros por parte da população, que amenizava as relações entre os extremos. Diferentemente do autor Jacob Gorender que em seu texto “Categoria escravidão” destaca o caráter violento das relações entre escravos e senhores. O autor faz uma distinção entre a escravidão antiga no Império romano com a escravidão moderna nas Américas. Para ele entender as relações de trabalho é a categoria principal para entender a escravidão. Visto que o escravo negro é antes de tudo uma propriedade do seu senhor, e é tratado como coisa. Há uma coisificação do escravo, que é de caráter contraditório, pois a sua humanidade é reconhecida quando ele esta sujeito a penalidades jurídicas, quando comete crimes, ou quando ele reage ao próprio trabalho ao fugir, ou se revoltar contra seus senhores. O autor também ressalta a violência que o escravo sofria, sob o controle de capatazes e feitores que eram contratados pelos seus senhores como forma de controle dos escravos. O trabalho e o castigo estão bem associados neste período para o autor. Estas formas de coerção eram necessárias para manter a normalidade no funcionamento dos engenhos ou em outras instancias onde eram utilizadas mão de obra escrava. Diferente do autor Gilberto Freire que vê o negro incluso dentro da família dos senhores, laços afetivos com os negros mais próximos da família, ou seja, os que trabalham dentro da casa. Para o autor Jacob Gorender o escravo só trabalha, porque está sujeito a castigos sejam eles físicos ou simbólicos. A autora Katia Mattoso em seu texto “Ser escravo” faz uma diferenciação da escravidão ocorrida no Brasil e na África. Ela retoma a tese do autor Gilberto freire no que diz respeito ao caráter patriarcal da escravidão, retomando a subjetividade do escravo, do ponto de vista psicológico o escravo precisava fazer uma repersonalização ao novo mundo que lhe foi imposto, para garantir a sua sobrevivência. O escravo para adaptar se tinha que levar em conta todos os tipos de esforços; humildade, obediência e fidelidade. Por parte dos senhores podemos observar uma integração do negro à família patriarcal, como parte de um plano de manipulação do escravo, colocando em tarefas importantes dentro dos engenhos e até mesmo dentro de suas casas, por exemplo, para que o negro se sinta protegido e incluso na família. Observemos que os senhores tão paternais vivem, na realidade com um medo constante das reações imprevistas dos negros. No texto a autora faz uma retomada do escravo como sujeito ao perceber que o escravo podia modelar as suas tarefas e obrigações, como ponto de resistência ao sistema de trabalho em que estava inserido. Destaca a questão das fugas, dos suicídios, que para ela isto ocorre por causa da não adaptação do negro, diferentemente dos outros autores que veem na fuga, uma forma de resistência ao trabalho, e não uma simples questão de não adaptação. Por fim a autora ressalta a necessidade de solidariedade do escravo, tanto nas relações de compadrio com seus senhores, como no trabalho com seus iguais.

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